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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

As bruxas de Cordoba

Nestas férias pegamos no carro e resolvemos dar uma volta pelas terras dos ´nuestros hermanos´.
Uma das paragens mais marcantes foi em Cordoba. Para além de termos ficado num hotel dentro da Juderia, bairro judeu, vedado ao transito e formada por um labirinto de ruas estreitas com fachadas revestidas de cal, enfeitadas com azuleijos e grades, verificamos a existência de uma comunidade enorme de ciganos. Como para nós os ciganos são como qualquer pessoa, nem demos muita importância, cada qual na sua vidinha, eles a trabalharem e nós como turistas. Tudo em Cordoba, pelo menos na Juderia parecia misterioso, tão diferente de tudo o resto que vimos ao longo da viagem. A Catedral e a Mesquita formam um unico espaço arquitectónico, o que a torna mais espectacular, nunca imaginei ver santos cristãos dentro de uma mesquita islâmica, é dificil explicar a sensação, só posso dizer que é muito bonito, uma bela surpresa tudo o que encontrei dentro.
Cá em Portugal, os ciganos são hoje em dia na maior parte feirantes, os que são nómadas geralmente têm as crianças a pedir esmolas ajudando a arrumar carrinhos de supermercados ou nas ruas, mas já se vêm menos, de vez enquando aparece um ou outro a pedir roupas à porta, não tenho nada contra eles, nunca me fizeram mal nem nunca os achei misteriosos. Lembro-me de ouvir histórias de ciganas que lêm as mãos, que vêm pelas bolas de cristais e que fazem bruxarias, mas isso para mim eram historias e ler as mãos não é nada de extraordinário, é apenas um estudo. Vimos logo pela manhã na Juderia algumas ciganas a oferecerem ramos de alecrim aos turistas, nem sequer ligamos, elas também não nos abordaram e ainda bem, porque estariamos desprevenidos. Estava eu numa loja a ver umas lembranças, o dono da loja começou a resmungar umas palavras em espanhol, mas como não estavamos a perceber, fomos perguntar o que se passava, então o senhor explicou-nos em inglês que eram ciganas muito perigosas, ofereciam o ramo e se a pessoa aceita, elas têm o poder de a hipnotizar, pedindo de seguida o dinheiro que ela quieria e que nunca eram em moedas, só notas! Ouvindo isso ficamos cheios de curiosidade e começamos a reparar nelas e naquilo que estavam a fazer. Realmente depois da pessoa aceitar o ramo, a cigana faz uns rabiscos, primeiro numa mão da pessoa escolhida, depois noutra e por fim uns sinais com a mão na testa, a partir daí a pessoa parece mesmo hipnotisada, começa a tirar dinheiro da carteira e realmente em notas. Aos turistas que tinham pouco dinheiro, elas até os mandavam para o multibanco ou então para pedir aos conjuges e não é que faziam mesmo? Sem discussão! O meu filho mais velho quis experimentar mas eu não deixei, pela lógica não seria mais do que uns cheiros ou pós que elas utilizavam mas como pode mesmo haver outras sabedorias para além das lógicas optei pelo seguro. Tentei pesquisar na net sobre esses incidentes, mas nada, não encontro nada daquilo que vi nem ninguém a queixar-se, em Cordoba os comerciantes avisam os clientes baixinho, dando a impressão de que não querem problemas e nos hóteis também não alertam os turistas o que acho mal, por isso resolvi partilhar essa experiência para o caso de quererem um dia visitar a Andaluzia que deve estar repletos de mistérios desses.

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