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sexta-feira, 23 de maio de 2008

Como se estica o dinheiro?

Uma das coisas mais incríveis que vim aprender cá em Portugal é esticar o dinheiro. É verdade esticar o dinheiro! Coisa que não dávamos muito valor em Macau, pois o que ganhávamos lá dava para tudo e mais alguma coisa e ainda por cima de três em três anos tínhamos férias com passagens pagas para onde quiséssemos ir e mais, dois meses inteirinhos de férias pagas.

Quando contava essas histórias aos meus colegas, amigos e conhecidos de cá, a maioria nunca estiveram mais longe do que a vizinha Espanha, ficavam de boca aberta, e de inicio tinha a clara sensação de que achavam que eu estava a inventar. Se tudo era tão bom, o quê que esta ´chinoca´ veio cá fazer?


Pois é, vim aprender a esticar o dinheiro, dar valor a coisas que dantes parecia cair de mão beijada, vim aprender que há uma vida real para além do ´Paraíso´ da vida fácil que era em Macau. Hoje a abertura do telejornal foi o de aparecimento de mais uma classe social, a dos novos pobres, famílias de classes médias, com empregos que já não conseguem fazer mais ginástica com aquilo que ganham e que vão pedir comida, roupas e calçados a instituições.

Mães trabalhadoras com filhos a crescer que chegam a ir trabalhar com a barriga vazia, porque não havia mesmo dinheiro para nada, nem para comer...


Para um casal que ganha pouco mais de 1500€ mensais, com dois filhos é preciso de uma ginástica enorme para manter as contas em dia, com os preços que estão as coisas. Há quem vive a consultar os folhetos dos supermercados, a comparar os preços todos e ir buscar só os produtos em promoção, ou aproveitar os produtos que se vendem mais baratos ao aproximar do fim dos prazos de validade e não vá acontecer nenhum imprevisto porque senão nunca mais iriam endireitar, pois teriam de se meter em créditos fáceis que só afundam cada vez mais as famílias.

É triste, porque mesmo para quem trabalha parece não haver muita esperança para o futuro e ter que chegar ao ponto de pedir caridade, não deve ser nada fácil para além de se sentir humilhante, e os que estão no poleirinho parecem insensíveis e indiferentes às necessidades básicas das pessoas, cada vez há mais diferença social e a maior parte de nós sentimos porque toca a todos, uns mais que os outros claro, só espero que não chegamos ao ponto de chegarmos a uma Argentina ou um Brasil, pois o que parece é que o apetite dos grandes é insaciável e que os pequenos podem bem morrer á fome!

Estamos entregues á bicharada! Uma manifestação geral era o que mereciam.

2 comentários:

Leocardo disse...

É verdade. E ainda há quem diga que o mundo real é esse, e que em Macau é tudo "fantasia". Se por acaso ter como viver uma vida desafogada, sem dever a meio mundo e sempre com medo de engrossar as estatísticas da pobreza é "fantasia", então sou um grande fantasista.

Abraço

Gotícula disse...

E ainda bem, todos devemos ter direito a esta "fantasia" mas infelizmente há muito boa gente que trabalha e que não imaginam o que isso é. Faz me imensa confusão como muita gente ´normal´ vivem, logo que recebem já têm o plafond da conta ordenado para preencher e toca de gastar o do mês seguinte e assim sucessivamente, com tanta inseguranças e incertezas na vida como não há de o povo Português ser deprimente.

 

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