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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Grande Prémio de Macau e a minha nostalgia

É inevitável sentir certa nostalgia todos os anos por esta altura, quando chega o fim de semana do GP de Macau. Quando vejo no Eurosport as imagens que dão é impossível não recordar os tempos em que passei e fiz parte desse grande evento. Foram anos muito memoráveis, vivi grandes emoções e já fui grande amante da velocidade.

Já nem me lembro quando é que comecei a assistir o GP de Macau, se calhar desde que comecei a poder sair com o meu pai sem ter que levar a ama atrás. Era sempre uma animação ouvir os motores a acelerarem nas boxes, ver a saída das motas e dos carros.

Quando já tinha uns 11 ou 12 anos, o meu pai arranjou-me uma ocupação no evento, tomar conta da entrada da Grand Stand nos quatro dias, aquilo era uma festa, como eu havia outros miúdos a trabalharem para o Grande Prémio, antes do evento tornar-se tão sério, os bandeirolas eram todos estudantes das escolas oficiais liderados pelo nosso amigo Zé Santos, irmão da Rita. Outros jovens ofereciam-se para voluntários dos bombeiros e tudo isso para vivermos todos a emoção do GP de Macau. Eram quatro dias cheios de emoções e ainda por cima a ganhar 60 patacas por dia, era um dinheirão na altura.

Naqueles tempos, não acontecia grandes eventos em Macau e o Grande Prémio não só trazia muito dinheiro como muita gente de toda a parte do mundo, aquela terra calma, tornava-se nessa semana em algo muito animada dentro e fora das pistas.

Mesmo no Liceu ouvia-se os motores dos carros por isso não havia aulas nesses dias, melhor era impossível. Talvez por influencia deste acontecimento e por falta de ocupação de tempos livres dos jovens naquela altura, a maior parte eramos todos corredores de fins de semana. Quando atingimos a adolescência, eramos aqueles que se juntavam no final do dia na Dona Maria ou então aos sábados à noite ao pé da ponte Nobre de Carvalho para acelerarmos para mais uma corridinha clandestina. Naqueles tempos era possível, naqueles tempos havia menos gente e menos carros. Estavamos todos marcados pelos polícias, mas eramos todos amigos.

Fui sobrevivente, não fiquei pelo alcatrão das estradas de Macau. O mesmo não posso dizer de alguns amigos que perderam a vida por esta brincadeira da velocidade. Ironia do destino ainda trabalhei alguns anos para a Comissão Organizadora quando atingi a maioridade, conheci muitos corredores e vivi muito mais emoções.

No dia que morreu o Ayrton Senna deixei de gostar de ver corridas, deixei de assistir a qualquer GP seja de motas ou de carros. Penso que finalmente cheguei à conclusão que a velocidade não vale a pena, é inexplicável a adrenalina que sentimos quando estamos numa mota ou num carro acelerarando à vontade mas de um momento para outro podemos deixar tudo para trás, como ele deixou em Imola. Conheci o Ayrton num dos GP´s de Macau e foi meu ídolo desde aí , assistir a sua morte em directo foi uma sensação estranha, aquele acidente nem sequer foi aparatatoso, até um tanto estúpido, é assim a vida das corridas, morre-se pela paixão, morre-se só pela adrenalina.

Mais um Grande Prémio de Macau este fim de semana, já nem sei em que numero vai, que tudo corra bem para os corredores e amantes da velocidade.

1 comentário:

Elsa D. disse...

olá, o teu blog já me fez sentir saudades de Macau... também fico cheia de nostalgia quando é a altura do GP.
Um abraço. Obrigada pelo link do meu blog, reparei ;)
Obrigada pela força. Pela tua idade e pelo facto de teres andado no Liceu tenho a certeza que nos conhecemos... mas por Gotícula nao chego lá :)))))
um abraço amiga.

 

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